SINOPSE

     O garoto que queria ser Deus começa lá na sua cidadezinha onde “só havia rezas, superstições, procissões, doenças, desambições, uma guerrinha política e um padre encrenqueiro”. Depois ele vai para uma outra cidade, onde teve uma experiência pouco dignificante numa igreja, a mesma igreja que todos frequentavam, e cujas lembranças o acompanhariam. Ao atingir a adolescência, muda-se para a capital, outra fase cercada de muitos obstáculos, já que ele próprio teria que dar conta de si. Então o jeito é hospedar-se na casa de parentes e tocar a vida. Simultaneamente às questões existenciais que vive, ele aspira, como todo jovem, a encontrar a oportunidade de alguma namorada. Entretanto, contido por suas inibições, pela sua forma de criação ou por restrições vindas da fé, ele vem a se deparar com verdadeiras “muralhas e barreiras” impeditivas de sua aproximação da pretendente. A tal ponto que num certo momento ele confidencia a si mesmo: “esses amores impossíveis têm pelo menos uma vantagem, que é a de gerar uma história mais longa”.
     O romance é construído numa linguagem satírica, irônica, e o narrador não perde nenhuma oportunidade para gracejar sobre as situações que se desenvolvem. Outra caracte-

rística do livro é que a narração é acompanhada paralelamente de toda a atmosfera que envolve não só os personagens, como o próprio narrador. Então, o mundo exterior frequentemente vem para junto da história. Este aspecto lateral do livro resulta conferindo ao texto certa condição de crônica social. As sátiras vão atingindo tudo, as religiões, a política, as ideologias, a própria vida.
     A trajetória do garoto tem vários estágios a partir da cidadezinha, a outra cidade, a mudança para a capital, mais as agruras para estudar e trabalhar desde a adolescência. Sua primeira missão o leva a ter contato com numerosas pessoas; é certamente uma experiência variada, essa de visitar, conversar e vender assinatura de revistas para toda essa gente numa rua que ele elegeu como alvo de seus negócios. Tudo entretanto é muito instável e ele se vê obrigado a dar uma guinada de muitos graus em sua vida, vai para um grande empreendimento, a construção de uma enorme hidroelétrica no meio da floresta, em um grande rio, com todos os percalços que uma aventura dessas possa ensejar. Um local que passa então a atrair milhares de pessoas. E aqui ele se vê às voltas com alguns outros personagens, um certo Lavareda, um padre e um tal Leonardo. E onde veio a se envolver também com uma linda nativa da região.
      Tratando-se do garoto que queria ser Deus, as questões da fé estarão necessariamente muito presentes em torno dele. Essas compulsões costumam afetar indistintamente os crentes de todos os credos. Assim, a massa de religiosos presentes nesse empreendimento – depois de um certo acontecimento ocorrido com esse rapaz – começa a se manifestar; todos passam a imaginar que o moço tenha sido alvo de uma bênção ou de um milagre. Uma das mulheres, dentre as centenas que ali habitam, pede ao padre que abençoe um objeto que estivera nas mãos do “sujeito agraciado”; em outro momento elas pedem que o “alojamento do sujeito seja transformado em oratório”; reivindicam em seguida que sua rua seja chamada “Alameda do Profeta”; agora pedem ao padre que o bispo de Belém reconheça o milagre. E assim as compulsões da fé vão se sucedendo coletivamente.
Num certo momento o narrador propõe: nossa tarefa é descobrir até onde pode chegar esse rapaz, alguém que conduz seus bons e maus agregados – herdados ou adquiridos, circunstância que lhe confere um comportamento singular.
     Outro aspecto de destaque do livro é a profusão de diálogos que segue todo o texto. No episódio da prisão de um dos personagens, ao tempo da repressão militar, no encontro entre inquisidor e suspeito tem-se um diálogo notável. Por outro lado, a linguagem elaborada, acessível e agradável do livro é outra característica do texto, embora haja certas redundâncias.
 
 
 
   
 
 
   
 
 
   
 
 
   
 
 
   
 
 
   
 

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Assis Utsch, Foi uma satisfação ter lido seu último livro, “O Garoto Que Queria Ser Deus”. Já li vários e posso afirmar que este é o que mais aprecieii. Dá para sentir a fina ironia ao abordar tópicos religiosos ou fazendo humor trocadilhesco com nomes e situações em toda a obra. O mais interessante foi sentir o autor colocando o leitor dentro de vários cenários, como a situação onde se percebe o interesse de um oficial-militar inquisidor na cultura do estudante interrogado; ou fazendo o leitor viver o jovem isolado num acampamento longínquo, numa usina em construção; e os envolvimentos, frustrações, crendices e sonhos desse jovem.
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Erlei
22 de Setembro de 2010 às 2:42:26 PM
Suponho que o personagem Daniel seja um caso para psicólogo, pois sua trajetória não permite distinguir se suas dificuldades existenciais decorrem da forma de sua criação ou se elas vêm de sua própria personalidade. Mas é um personagem instigante, aliás personagens ‘normais’ nunca fazem as melhores histórias.
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Liuta
22 de de 2010 às 11:08:59 AM
Já estou naqueles capítulos onde o personagem principal está tocando seus negócios lá na rua da ‘tia’. Estou com um grande pesar por ter que interromper a leitura temporariamente, pois minhas tarefas me chamam. Mas eu quero acompanhar depois a caminhada do personagem. Não entendi bem uma coisa: se ele quando criança ou na adolescência tinha tanta dificuldade para falar – com o pai, com os professores – como é que depois ele tem uma boa performance em suas conversas com os habitantes daquela rua ?
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Ana
22 de de 2010 às 11:27:04 AM
Estou nos primeiros capítulos e estou gostando bastante. Nunca fui um apreciador da literatura, principalmente, a brasileira. Os poucos livros que li foram por obrigação escolar. Nos últimos anos comecei a me interessar por livros relacionados a divulgação de ciências e ateísmo. Seus livros me fazem olhar a literatura com outros olhos. Já não posso dizer que não gosto da literatura brasileira generalizando todos os autores. Quando falo de seus livros estou me referindo ao "O Pastor Rebelde" e ao "O garoto que queria ser deus". Gostaria de um dia ver seus livros sendo reconhecidos. Em "O Garoto " é difícil não se identificar com o personagem. Vários fatos aparecem em nossas vidas, ...
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Junior
27 de de 2010 às 11:22:51 AM
Aquele "sermão" do padre no acampamento é uma das referências mais bizarras que um leitor poderia encontrar em um livro. Apreciei também a forma com que o narrador conseguiu penetrar tanto na mente dos crentes como na dos incrédulos, dando a cada um deles suas características próprias. Outra particularidade é que as maledicências das religiões não são inventadas, mas transcritas dos próprios livros sagrados.
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Liuta
28 de de 2010 às 2:59:08 PM
Gostaria de adicionar um comentário, é sobre a posição do narrador no livro. O texto traz muitos diálogos, parece até uma peça teatral, mas o narrador toma também muito partido na história. Não teria sido melhor se apenas os personagens emitissem cada um suas opiniões?
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Liuta
8 de de 2010 às 4:35:28 PM
" e ele não é mais um aldeão, é muito mais que um cidadão, é um ser galáctico, talvez um galatão; todos lhe admiram até os calos dos antigos pés descalços, até os calos da língua, de tanto falar, mas especialmente os calos da linguagem, que agora conferem as suas falas um selo de qualidade". (p.198) De quem se trata ? Mais uma curiosidade, o texto tem muitos momentos de ritmo e rimas. O autor é dado também à poética ?
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Maria Clara
17 de de 2010 às 2:03:56 PM
Quando adquiri o livro, penssei que se tratava de uma obra religiosa. Mas não é, só completei a leitura porque sempre que compro um livro eu me comprometo a ler todo ele. A linguagem não é agressiva, é até elegante, mas para uma religiosa, como é o meu caso, muita coisa me doeu. Não sabia que dos livros santos era possível extrair tantas coiisas desconcertantes.
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vera
19 de de 2010 às 5:12:42 PM
As andanças do personalgem Daniel naquela rua parecem a reconstituição de um tempo. Na adolescência nossa diversão era assistir aos filmes daqueles diretores e atores citados no livro, eles ficaram em nossa memória. Achei também interessante o ambiente dexscrito. As pessoas tinham tempo, havia disponibilidade para longas conversas, como aquelas que o rapaz mantinha com os moradores de sua vizinhança durante a venda de suas revistas. As pessoas penetravam na vida de cada um com muito mais desenvoltura. Mas eu estranhei a insisteência muito presente sobre o problema das crenças.
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Mari
1 de de 2010 às 12:17:43 PM
Assis, Fiquei satisfeito ao saber da página virtual de seu livro, agora os leitores (e eu também) poderemos localizar suas obras com maior facilidade, bem como fazer comentários - elogios e críticas. Seus livros aguçam o pensamento e contribuem para a reflexão sobre um outro assunto, pelo menos no meu modo de entender: O desenvolvimento da vontade ... a capacidade de progredir, ...
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Edgard Daniel Utsch
25 de de 2010 às 3:43:11 PM
Como literatura é bem escrito. Mas apenas comprova que boa parte do pensamento ateu a respeito de religião se baseia nas situações em que essa não está truncada. O próprio título sugere que se dirige a criticar beatos, que nunca foram paladinos do pensamento religioso. Atacar beatos é muito fácil, quero ver o dia em que os paladinos do ateísmo refutem METODICAMENTE (e não de forma sentimental e amadora, como fazem Hitchens e DAwkins) os pensamentos de todos os filósofos que acreditaram em Deus.
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Eduardo
2 de Janeiro de 2012 às 23:36:59
Eduardo, Você leu mesmo o livro? Ao dizer que "é bem escrito", pressupõe-se que você leu, mas os comentários seguintes são de quem não leu, pois não têm relação com o texto escrito. E estes dois autores que você cita, o Hitchens e o Dawkins, você leu também estes? parece que não.
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Vera
11 de Janeiro de 2012 às 12:19:59
Teste
Comentado por: 
Assis
3 de Março de 2012 às 09:19:04

Comentado por: 
20 de Abril de 2012 às 05:15:49

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